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you spoke with me through him. before i knew i loved you, believed in you

O que me foi impresso no coração pode sim ser apagado se eu quiser bastante. A felicidade resta na resignação do que sinto. Ainda sinto que os outros lugares me ameaçam, é verdade, mas não escondo mais. Não me confundo num furacão de confusão, de angustia, de rejeitar o que me é natural. Os outros lugares me ameaçam, mas eu não tenho medo. Quando um outro lugar for melhor, será, e eu aceito. Não sem dor, não sem saudade, mas sem medo.

Eu queria escrever tantas coisas, há tanto dentro de mim a ser libertado, mas eu não encontro os caminhos. Eu procuro sempre evitar isso ou aquilo e, evitando, não consigo ligar os pontos. Coloco tantos obstáculos que eles, por si só, acabam formando uma trilha. A estrada que eu não quero pegar. Só sei daquilo que não quero: não quero querer demais, depender demais, precisar demais. Quero o que restar disso. Quero não me desesperar como eu me desespero, penso tanto que fico quente. O coração ferve e me queima de dentro pra fora. Quem me queima sou eu e não o outro e não há dúvida nem contradição maior nisso. 

E a verdade, a verdade verdadeira, é que dói a ilusão. Fico tão feliz de ter percebido isso. Dói uma ideia. Não é a realidade. A realidade é que você existe e você vem e vai a outros lugares e, como me é dito desde criança que os outros lugares me ameaçam, dói. Mas não dói. Se você for e não voltar, não dói. A Ideia que dói, o externo que dói, o que me foi impresso como um código de barras no coração.

E, ainda bem, o que me foi impresso pode ser apagado se eu quiser bastante.

David,

Você me perguntou quando meu coração se aquietou sobre você. Também não sei ao certo. Sei que acordei um dia e estava mais inteira. De repente, não tinha medo que sua mão se desprendesse da minha. 

Quando soltam da sua mão, você tem sua mão de volta.

Sempre gostei que nossas mãos fossem duas distintas, mas gostava também delas juntas. Tinha medo que você soltasse antes que eu.

David, quem acabou soltando fui eu. E, por incrível que pareça, fiquei aliviada. Não por não te querer bem, mas por me querer mais bem do que a você.

“ Let us not abandomn ourselves to please others. ”

Não quero que ninguém me pertença e não quero pertencer a ninguém. O amor, no entanto, é se fazer presente. E, para estar presente, não é necessário estar o tempo todo junto, mas ser o tempo todo honesto. Não quero que me queira o tempo todo, mas que me diga quando não quer pra que eu não fique esperando o que não vai chegar. Comunicar quando o amor não é bem-vindo é uma obrigação de quem respeita o outro como pessoa. Decidir sozinho quando se quer e quando não se quer, deixando o outro na espera é um ato de violência e disputa de poder. E eu não quero saber disso.

“ Toda história do mundo não é mais que um livro de imagens refletindo o mais violento e mais cego dos desejos humanos: o desejo de esquecer. ”
Hermann Hesse in “Viagem pelo Oriente”

jupig:

Emília,

As coisas que você diz ao mundo falam diretamente a mim. As palavras saem da sua boca e entram no meu corpo, tão doente, tão fraco, como que para curá-lo.  Emília, nunca se cale. Emília, eu estive calada por tanto tempo, com medo de dizer e ninguém entender, com medo de escrever e tudo soar mal. Eu encontrei um menino a quem dizia coisas, mas ele já não existe mais. Não me sinto mal como deveria, me sinto ainda inteira, mas com saudades. Queria achar alguém no mundo a quem bastasse me fazer companhia, que não me quisesse devorar. Emília, eu magoo todo mundo com o meu jeito. Amo como quem corre; sempre ofegante, incomodada. Não sei de nada, não amo ninguém. Queria saber da onde veio tanta água, de onde veio esse vômito de água que me inunda essa noite. Nada mais que eu digo faz sentido. Não é porque melhorei que não tenho noites tristes.

Julia

“ We accept the love we think we deserve ”
Stephen Chbosky in The Perks Of Being a Wallflower 

but since it falls unto my lot
that I should rise and you should not
I’ll gently rise and I’ll softly call
good night and joy be with you all